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TÊNIS x FRESCOBOL
Rubem Alves, teólogo, psicanalista e escritor, é uma dessas pessoas
que têm o dom de transformar a realidade da vida em palavras que soam como
poesia.
O título deste texto é de uma de suas crônicas, onde ele distingue
dois tipos de casamento, os que se parecem um jogo de tênis e os que se parecem
com um jogo de frescobol.
A respeito do casamento ser um jogo de tênis ele assim o compara:
- "O tênis é um jogo feroz. O
seu objetivo é derrotar o adversário.E > a sua derrota se revela no seu
erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.
Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem
a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que
ele vai dirigir sua cortada (...) . O prazer do tênis se encontra, portanto,
justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o
adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com alegria de um e a
tristeza de outro".
Sobre o casamento
ser um jogo de frescobol, Rubem assim o define:
- "O frescobol se parece muito
com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser
bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente
sabe que não foi de propósito e faz o possível para devolvê-la gostosa, no
lugar certo, para que o outro
possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser
derrotado.
Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o
outro erra- pois o que se deseja é que ninguém erre. (...) E o que errou pede
desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.
Mas não tem importância: começa-se
de novo este delicioso jogo em que ninguém marca
pontos....."